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Fim do confinamento na Europa?

Quase cinco meses depois de seu surgimento na China, no fim de de 2019, a pandemia que deixou mais da metade da humanidade em confinamento e paralisou a economia mundial parece estar sob controle em vários países, apesar da propagação em outras regiões, em particular as Américas. Alguns lugares da Europa viveram neste domingo o último dia de confinamento, entre a alegria e medo de uma segunda onda de contágios do novo coronavírus, que deixou quase 280 mil mortos no mundo, sendo mais de 11 mil deles no Brasil.

Na França e na Espanha, que estão entre os países mais afetados pela COVID-19, milhões de pessoas devem recuperar uma tímida normalidade, como já aconteceu na Itália e Alemanha. Metade da população espanhola vai entrar na fase 1 do período de desconfinamento, que vai permitir reuniões com grupos de até 10 pessoas, a permanência em terraços com presença limitada ou a visita a lojas sem a necessidade de agendamento. As zonas mais atingidas, como Madri e Barcelona, terão de aguardar uma situação melhor para entrar nesta etapa, entre apelos à “prudência” do primeiro-ministro Pedro Sánchez, para quem o vírus segue “à espreita”.

Na França, o desconfinamento também será por regiões, chamadas de “verdes” ou “vermelhas”. Em Paris, as autoridades pedem máximo rigor para respeitar as regras de saúde. Está prevista a reabertura parcial das escolas, uma medida que provoca preocupação entre as famílias.

Na Alemanha, outro país considerado exemplar durante a crise, o teto estabelecido de 50 novos contágios para cada 100 mil habitantes está sendo superado em três regiões. O país, que vai retomar o campeonato de futebol nos próximos dias com portões fechados, permitiu a reabertura de bares e restaurantes no estado de Mecklembur-Pomerania, às margens do mar Báltico. Mas com outro tipo de serviço. “Nossos funcionários precisam usar máscara e os clientes respeitar a distância”, disse Thomas Hildebrand, dono de restaurante em Schwerin.

Já no Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson foi duramente criticado por seu relaxamento inicial e por decidir o confinamento mais tarde que seus grandes vizinhos europeus. Ele, que chegou a ser internado na UTI depois ser infectado pela COVID-19, disse que o governo estuda a possibilidade de estabelecer uma quarentena de 14 dias para todas as pessoas que entram no país, exceto as procedentes da Irlanda.

Segunda onda de casos

O fantasma de uma segunda onda, e talvez até uma terceira, mencionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), está presente. E para complicar ainda mais a situação, novos casos da doença foram registrados em Seul (Coreia do Sul) e Wuhan (China). A China registrou cinco casos em mais de um mês na cidade de Wuhan, que foi o berço do coronavírus.

A Coreia do Sul, considerada um modelo na gestão da crise, é um exemplo: depois de conter a propagação do vírus e flexibilizar as restrições, a prefeitura de Seul se viu forçada no sábado a fechar todos os bares e clubes ante um novo e evidente aumento dos casos de COVID-19.

O presidente sul-coreano Moon Jae-in declarou neste domingo que os novos casos de contaminação “estabeleceram a consciência de que mesmo durante a fase de estabilização, situações similares podem surgir novamente a qualquer momento”. Isto não vai terminar até que realmente chegue ao fim”, disse Moon.

No Irã, o país do Oriente Médio mais afetado pelo coronavírus com mais de 6 mil mortes de acordo com o balanço oficial, também há uma flexibilização das restrições, mas o temor de uma nova onda de infecções está muito presente. Muitos moradores de Teerã aproveitaram a reabertura das lojas. Outros observavam com receio a falta de respeito às medidas de segurança. “A fila dos idiotas”, murmurou Manouchehr, um comerciante, diante de uma longa fila em uma casa de câmbio no distrito de Sadeghieh, oeste da capital.