Por Que Conhecer a Argentina
A Argentina é, para o viajante brasileiro, um dos destinos internacionais mais fáceis de encaixar na agenda: fronteira próxima, voo curto (ou até viagem terrestre, no caso das Cataratas do Iguaçu), sem necessidade de visto e um país gigantesco que reúne, sozinho, experiências tão diferentes quanto uma capital cosmopolita, montanhas e lagos andinos e uma das maiores quedas d'água do planeta.
Assim como o Chile, a Argentina se estende por uma área enorme — mais de 3.700 km do norte ao sul — e por isso costuma ser dividida em roteiros por região, já que dificilmente é possível (ou recomendável) tentar conhecer o país inteiro numa única viagem.

Buenos Aires: A Paris da América do Sul
Buenos Aires é o ponto de partida da maioria das viagens à Argentina, e uma cidade que por si só justifica de 3 a 5 dias de roteiro. Com forte influência europeia na arquitetura — resultado da grande imigração italiana e espanhola do final do século 19 e início do século 20 —, a capital argentina é conhecida por seus bairros com personalidades muito distintas entre si.
Recoleta é o bairro mais elegante, com o famoso Cemitério da Recoleta (onde está sepultada Evita Perón) e museus como o MALBA (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires). Palermo, dividido em Palermo Soho e Palermo Hollywood, concentra a cena gastronômica e de bares mais moderna da cidade, além de ser ótimo para caminhar entre seus parques. San Telmo, o bairro mais antigo, é o berço do tango e tem uma das feiras de antiguidades mais famosas da América do Sul, aos domingos. Já La Boca, com suas casas coloridas do bairro do Caminito, é onde nasceu o Boca Juniors — para os apaixonados por futebol, um jogo no estádio La Bombonera (ou no Monumental de Núñez, do River Plate) é uma experiência à parte.
Nenhuma visita a Buenos Aires está completa sem um show de tango — seja em uma milonga tradicional frequentada por moradores locais, seja em uma casa de espetáculo voltada para turistas — e sem experimentar a parrilla argentina, com cortes de carne diferentes dos comuns no Brasil e acompanhados de bons vinhos Malbec, um dos maiores orgulhos vinícolas do país.
Bariloche: Patagônia Andina e a Rota dos Sete Lagos
San Carlos de Bariloche, ou simplesmente Bariloche, é a principal cidade da Patagônia argentina do lado andino, às margens do Lago Nahuel Huapi e cercada por montanhas que remetem à paisagem alpina europeia — não é coincidência que a arquitetura do centro da cidade, com casas de pedra e madeira, seja inspirada em vilarejos suíços e austríacos.
O grande passeio da região é o Circuito Chico, um trajeto de carro ou bicicleta ao redor de lagos, florestas e mirantes como o Cerro Campanario, considerado um dos mirantes mais bonitos da América do Sul — o acesso é por um teleférico curto que leva a uma vista de 360 graus sobre o Lago Nahuel Huapi e as montanhas ao redor. Outro programa clássico é a Rota dos Sete Lagos, um trajeto cênico que liga Bariloche a San Martín de los Andes, passando por sete lagos de águas azul-turquesa emolduados pela Cordilheira dos Andes e por floresta de araucárias.
No inverno (junho a setembro), Bariloche se transforma no principal destino de esqui e neve da América do Sul, com o Cerro Catedral — uma das maiores estações de esqui do hemisfério sul — atraindo esquiadores de vários países. No verão (dezembro a março), a região é procurada por quem quer trekking, passeios de barco pelos lagos e o clima ameno de montanha, bem diferente do calor do resto do país nessa época.
Cataratas do Iguaçu, Lado Argentino
As Cataratas do Iguaçu ficam na fronteira entre Brasil e Argentina (e também bem perto do Paraguai), e a experiência completa costuma incluir a visita aos dois lados — o lado brasileiro, em Foz do Iguaçu, oferece a vista panorâmica de conjunto das quedas, enquanto o lado argentino, em Puerto Iguazú, permite caminhar por passarelas que colocam o visitante muito mais próximo (às vezes literalmente dentro) da água.
O destaque do lado argentino é a Garganta do Diabo, o ponto mais impressionante das cataratas, acessível por um trenzinho ecológico seguido de uma longa passarela sobre o rio até ficar praticamente em cima da queda — a sensação de estar cercado pela força da água e pela neblina constante é uma das experiências mais marcantes de qualquer roteiro pela região. O Parque Nacional Iguazú, do lado argentino, também tem circuitos (Superior e Inferior) que levam a diferentes ângulos das quedas, além de passeios de barco que se aproximam ainda mais da base das cataratas.
Muitos viajantes brasileiros combinam essa etapa com uma passagem pelo lado brasileiro em Foz do Iguaçu — ambos os lados costumam ser visitados em dias separados, já que a travessia da fronteira e o tempo de visita a cada parque tomam boa parte do dia.
Melhor Época para Viajar à Argentina
Assim como o Chile, a "melhor época" para a Argentina depende muito da região:
- Buenos Aires: primavera (setembro a novembro) e outono (março a maio) são as estações mais agradáveis, com temperaturas amenas. O verão (dezembro a fevereiro) pode ficar bem quente e úmido, e o inverno (junho a agosto) é frio, mas raramente gelado.
- Bariloche: depende do que você busca — inverno (junho a setembro) para neve e esqui, verão (dezembro a março) para trekking, lagos e clima de montanha ameno.
- Cataratas do Iguaçu: podem ser visitadas o ano todo, já que a região é subtropical. O volume de água costuma ser maior entre outubro e março (período mais chuvoso), o que torna as quedas ainda mais impressionantes, enquanto o inverno (junho a agosto) tem menos volume, mas também menos calor e umidade para caminhar pelas passarelas.
Quanto Custa Viajar para a Argentina
As passagens aéreas entre o Brasil e Buenos Aires costumam estar entre as mais baratas de qualquer destino internacional, já que o trajeto é curto (cerca de 3h de São Paulo) e há bastante concorrência entre companhias aéreas — é comum encontrar tarifas de ida e volta abaixo de R$ 1.000 em promoção. O trecho Buenos Aires-Bariloche, se incluído no roteiro, costuma adicionar entre R$ 400 e R$ 800 por pessoa.
Hospedagem em Buenos Aires tem opções bem variadas: hotéis 3 estrelas em bairros como Recoleta ou Palermo costumam ficar entre R$ 250 e R$ 450 por noite, enquanto hotéis 4 e 5 estrelas passam de R$ 500 a R$ 1.200. Em Bariloche, os preços tendem a subir bastante na alta temporada de esqui (julho, época de férias escolares no hemisfério sul) e também no verão (janeiro-fevereiro).
Um roteiro de 5 a 7 dias só em Buenos Aires tende a custar, por pessoa, entre R$ 3.500 e R$ 7.000 incluindo aéreo, hospedagem, passeios e alimentação. Adicionar Bariloche ou as Cataratas do Iguaçu ao roteiro aumenta esse valor, principalmente pelo trecho aéreo doméstico extra e pelas diárias mais altas em destinos de natureza.
Como Chegar e se Deslocar
Diversas companhias aéreas — LATAM, Gol, Aerolíneas Argentinas, entre outras — operam voos diretos entre as principais capitais brasileiras e Buenos Aires, com o trajeto de São Paulo levando cerca de 3 horas. Para as Cataratas do Iguaçu, o mais comum é voar até Foz do Iguaçu (Brasil) e cruzar a fronteira terrestre para visitar o lado argentino, ou voar direto até Puerto Iguazú, do lado argentino.
Dentro de Buenos Aires, o metrô (subte), táxis e aplicativos de transporte cobrem bem a cidade. Para Bariloche, o trajeto Buenos Aires-Bariloche é feito de avião doméstico (cerca de 2h de voo); dentro da região, o ideal é alugar um carro ou contratar excursões, já que boa parte dos passeios (como a Rota dos Sete Lagos) é feita por estradas cênicas sem transporte público direto.
Perguntas Frequentes sobre Viajar para a Argentina
Brasileiro precisa de visto para a Argentina?
Não. Brasileiros entram na Argentina apenas com passaporte válido ou RG em bom estado (documento de identidade dentro dos acordos do Mercosul), sem necessidade de visto, para estadias turísticas de até 90 dias.
Dá para visitar Buenos Aires, Bariloche e as Cataratas numa única viagem?
Sim, mas como as distâncias internas são grandes, um roteiro que combine as três regiões costuma precisar de pelo menos 10 a 12 dias para não ficar apressado, já que cada trecho envolve um novo voo doméstico a partir de Buenos Aires.
Vale mais a pena visitar as Cataratas do lado brasileiro ou argentino?
Os dois lados oferecem experiências complementares: o lado brasileiro tem a vista panorâmica de conjunto das quedas, enquanto o lado argentino permite se aproximar muito mais da água, principalmente na Garganta do Diabo. A recomendação mais comum é visitar os dois lados, em dias separados.
Qual é a moeda da Argentina e como levar dinheiro?
A moeda oficial é o peso argentino (ARS). O câmbio no país pode ser instável, e é comum haver diferença entre a cotação oficial e a cotação de câmbio para turistas — vale pesquisar antes da viagem qual é a forma mais vantajosa de trocar dinheiro ou usar cartão no momento da viagem.
Conclusão: Três Viagens em um Único País
A Argentina é um daqueles destinos em que a proximidade com o Brasil engana: por ser um voo curto e sem burocracia de visto, é fácil pensar nela como "mais do mesmo" — mas o país entrega experiências tão distintas quanto a vida cultural de uma das capitais mais europeias da América do Sul, paisagens andinas que rivalizam com os Alpes e uma das quedas d'água mais impressionantes do planeta.
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